Tive uma gravidez bastante feliz. Não programada mas muito desejada, desde o início. Acompanhamento médico desde as primeiras semanas até o final, alimentação equilibrada, caminhadas diárias, enfim, uma gravidez saudável. Todos os exames realizados (sangue, imagem, ultrassom) estavam perfeitos. Desejava muito que Luccas nascesse de parto natural mas, devido a presença de mecônio no líquido amniótico (o que indica sofrimento fetal) foi necessário recorrer a cesariana. Nasceu em uma das melhores maternidades de São Paulo, com 38 semanas, 3kg, 50 cm, Apgar 9-10. Um bebê saudável, lindo, muito tranquilo. Fomos para casa dois dias depois, tudo correu conforme o esperado. Na primeira semana, numa manhã, quando estava com ele no jardim para seu banho de sol, senti uma angústia tão grande, uma sensação que não consegui definir naquele momento. Hoje, creio que tive um pressentimento - de que nosso futuro teria dias muito difíceis. Naquela hora, como toda pessoa de bom senso, rebati intimamente esse sentimento ruim com o argumento do cansaço das noites mal dormidas, do estresse normal que passamos quando temos um filho.
Tudo estava correndo bem, Luccas passava periodicamente pelo pediatra, mamava bastante, adquiria peso e crescia rápido. Mamou até os 5 meses, quando acabou minha licença e tive que entrar com o leite artificial. Nesta época, começou a frequentar um berçário que foi escolhido com todo o critério. Então, começaram as viroses, otites, idas recorrentes ao pediatra. Tudo normal, devido ao contato com crianças maiores.
Quando Luccas completou 1 ano, comecei a perceber que os balbucios diminuiram consideravelmente e que ele não tinha muito interesse por brinquedos. Aliás, interessava-se muito pouco. Seu foco de atenção era a música - o que permance até hoje, em menor grau. Luccas ficava bastante no quadrado, em pé segurando nas bordas e assim ele se movimentava. Quando no chão, não engatinhava livremente. Sentou efetivamente sem apoio bem depois de 1 ano. A escola dizia que ele tinha um desenvolvimento normal e o mesmo eu ouvia do pediatra. Aliás, dos pediatras pois devido as viroses acabei rodando alguns consultórios em São Paulo.
Com 1 ano e três meses, ficou internado por 5 dias devido uma celulite no olho - me assustei pois achei que fosse uma mera conjuntivite. Na emergência do hospital, a médica pediu urgência no atendimento quando o viu na recepção e, após exame, foi identificada a infecção bacteriana. Soube da gravidade dessa infecção e que necessita de atendimento rápido para não haver complicação no quadro. Mas, depois de 5 dias de medicação endovenosa, voltamos à rotina normal. Graças a Deus, sem complicações nem sequelas.
À todas as pessoas que possuem filhos com atraso de desenvolvimento e deficiência intelectual; que estão em busca de diagnóstico para responder a todas as perguntas (ou , pelo menos, parte delas); que não desistem, não se contentam com respostas superficiais e querem vencer as adversidades. À todos que contribuem para o progresso da ciência em prol de amenizar o sofrimento de muitos.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A Espada
Você pode pensar: qual a relação entre os dois assuntos? O que a procura de diagnóstico tem a ver com espada? E quem é esse Dâmocles?
Primeiro o mito grego. Depois, o assunto principal.
Dâmocles foi um cortesão do Rei Dionísio de Siracusa (século 4 A.C) que sentia muita vontade de viver a vida do rei. Como eram amigos, Dionísio convidou-o a viver sua vida por um dia - comeu, bebeu, vestiu-de como rei e, quando sentou no trono, ficou paralisado. Havia uma espada pendurada na direção de sua cabeça, presa apenas pelo fio da crina de um cavalo. Dâmocles ficou apavorado, teve medo de sair correndo e imediatamente perdeu o interesse em viver a vida do rei. O Rei vivia seus dias com a espada na cabeça.
Não ter um diagnóstico definido é estar com a espada na cabeça. Todos os dias, em todas as atividades, a dúvida, a incerteza está presente. A tal espada presa por um fio. E ela somente sairá dali quando a resposta aparecer. Essa é minha luta. E, acredito, de muitas pessoas que possuem filhos com problemas de desenvolvimento e atraso intelectual.
Agradeço à todas as pessoas que contribuem para que essa busca tenha um fim.
Ao relatar minha experiência em busca de diagnóstico para o meu filho espero sinceramente poder ajudar mães que passam pela mesma situação.
Primeiro o mito grego. Depois, o assunto principal.
Dâmocles foi um cortesão do Rei Dionísio de Siracusa (século 4 A.C) que sentia muita vontade de viver a vida do rei. Como eram amigos, Dionísio convidou-o a viver sua vida por um dia - comeu, bebeu, vestiu-de como rei e, quando sentou no trono, ficou paralisado. Havia uma espada pendurada na direção de sua cabeça, presa apenas pelo fio da crina de um cavalo. Dâmocles ficou apavorado, teve medo de sair correndo e imediatamente perdeu o interesse em viver a vida do rei. O Rei vivia seus dias com a espada na cabeça.
Não ter um diagnóstico definido é estar com a espada na cabeça. Todos os dias, em todas as atividades, a dúvida, a incerteza está presente. A tal espada presa por um fio. E ela somente sairá dali quando a resposta aparecer. Essa é minha luta. E, acredito, de muitas pessoas que possuem filhos com problemas de desenvolvimento e atraso intelectual.
Agradeço à todas as pessoas que contribuem para que essa busca tenha um fim.
Ao relatar minha experiência em busca de diagnóstico para o meu filho espero sinceramente poder ajudar mães que passam pela mesma situação.
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